domingo, 31 de dezembro de 2006

Desejos para 2007


Tecnicamente, não há diferença nenhuma entre o dia 31 de Dezembro e o dia 1 de Janeiro. Têm exactamente o mesmo número de horas, minutos e segundos (... sim, eu sei. Cá estou eu outra vez, com as minhas longas considerações. Peço apenas mais um bocadinho de paciência porque acho que vale a pena).

O que há então nesta fronteira que nos é tão querida, que celebramos com festas estrondosas? A esperança. É esse o sentimento poderoso que depositamos na passagem do dia 31 de Dezembro para o dia 1 de Janeiro. Esperamos que o ano novinho em folha que está a começar, no qual mais uma página da vida ainda está toda por escrever, traga a possibilidade de encontrar a resolução dos nossos problemas e a confirmação e manutenção de tudo o que mais gostamos.

Espero que o ano novo cumpra todas as vossas expectativas, que seja um daqueles anos que vale mesmo a pena recordar.


FELIZ ANO NOVO!!!!

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Sobre 2006...


... nem sei que diga. Não encontro a palavra certa para o definir. Como se define um ano marcado por acontecimentos antagónicos. Nada houve de trivial. Todas as vivências, boas e más, foram profundamente marcantes, extraordinárias. Um ano de extremos. Se se pudesse aplicar os princípios matemáticos poder-se-ia dizer que as alegrias, altamente positivas, anulavam as tristezas, de valor igualmente negativo, e dava-se o ano por regular. Mas, felizmente, a matemática não se aplica aos sentimentos senão corria-se o risco de uma existência árida e estéril de emoções.

Este foi então o ano em que a pessoa que mais me atormentava desde que nasci decidiu subtrair-se da minha vida. Acontecimento inesperado, e seria deveras positivo não tivesse isso sido feito da forma mais cruel, com a tentativa de arruinar a vida de algumas das pessoas que mais amo e prezo. Mas, como a união faz a força, a tentativa não passou disso mesmo e tudo se recompõe.

Tive também a oportunidade de fazer um amigo, daqueles mesmo a sério. Aproveito aqui a oportunidade para lhe agradecer a paciência para me ouvir e apoiar nalguns dos dias mais negros e angustiantes da minha vida. E estou a preparar-me para ser tia pela primeira vez. Não há nada que nos estimule mais a esperança por dias melhores que a perspectiva do nascimento de um novo ser.

Não queria acabar esta reflexão sem reconhecer a importância da amizade com que todos, família e amigos, me presenteiam (sim, porque é um presente que devemos agradecer todos os dias), e especialmente do homem que ao longo destes últimos anos me regenerou com muita paciência, amor e compreensão, e com quem espero continuar a partilhar a minha vida.

Prefiro, então, pensar que foi um ano positivo mas... que não se repita. Não gosto lá muito de montanhas russas ;)

sábado, 23 de dezembro de 2006

É Natal!!!!


Sendo completa e verdadeiramente ateia, não celebro, obviamente, o nascimento de Jesus Cristo. Bem... não especificamente. Mas não me vou alongar com considerações teológicas. Não é altura para isso.

Celebro mais uma excelente oportunidade de estar com a família e os amigos, de lhes mostrar que os adoro a todos e o quanto estou grata por estar rodeada por eles. Aproveito e relembro todos quantos já partiram, é uma forma de estar com eles também.

Por isso, e sem mais delongas, desejo a todos um

FELIZ NATAL!!!!!

domingo, 17 de dezembro de 2006

Quem nunca se sentiu...


... sucumbir sob o peso, às vezes tremendo, dos acontecimentos ou das acções dos outros? E quem pode criticar? Quem nunca o fez ou pode garantir que não o fará?


Deixar-se abandonar, ceder, pode ser, talvez, a única forma de recuperar a força vital que parece esvair-se a cada momento que passa. Como se a realidade fosse um buraco negro que suga toda a energia.


No entanto a vida continua, o coração ainda bate, o corpo ainda funciona e a mente, essa, clama por mais: entendimento, justificações, resoluções, decisões. Clama pela vivência e o conhecimento de todo o mundo vasto que se estende mais além. Todas as pessoas e todas as experiências que ainda são possíveis e merecem ser vividas com todo o conhecimento, feliz ou infeliz, que foi generosamente oferecido pelo que se vive, pelo que os outros dão ou querem tirar.


Controlar a adversidade ou, por outro lado, deixar a adversidade controlar define a disponibilidade, ou não, de receber o que o mundo e a vida ainda estão dispostos a dar.

sábado, 16 de dezembro de 2006

... e pronto, está partilhado.


"Meninas e Bonecas V"

De repente, parece que Edgar tem razão. De facto, não há razão para que uma boneca fabricada por alguém que não conhecemos tenha o mesmo valor, ou magia, que uma feita por alguém que está ligado a nós por laços de afecto tão fortes.
Depois de pensar um pouco enquanto reparava que todas aquelas bonecas tinham um sorriso e um olhar tão meigos e compreensivos como os de Aurora, Sara responde:
- Bem, se calhar também foram feitas pela mãe de alguém. – suspira profundamente, olha de novo para Aurora e continua – Tenho muitas saudades da minha.
Sentindo, de repente, grande pena de Sara, Edgar pergunta-lhe:
- Onde está a tua mãe? – instintivamente olha em volta como se esperasse que ela pudesse aparecer a cada momento.
- Não sei. Um dia fiquei doente. Passava os meus dias na cama. Como não podia levantar-me nem brincar, a minha mãe deitou a Aurora ao meu lado para me fazer companhia. Um dia adormeci com a minha mãe de um lado a dar-me muitos miminhos e a chorar muito baixinho – coitadinha, devia estar preocupada com alguma coisa - , e a Aurora do outro, encostada ao meu peito. Quando voltei a acordar, estava aqui…
Nesta altura, Edgar sente uma luz muito forte bater-lhe nos olhos. Deixou de conseguir ver. Sentiu alguém a abaná-lo suavemente e a chamar pelo seu nome.
Confuso, abriu os olhos e viu à sua frente a sua mãe. Abraçou-a e deixou correr uma lágrima. Quando se afastam ela limpa-lhe a lágrima e pergunta:
- Que estás aqui a fazer, filho? Está tudo bem?
Não lhe sai da cabeça aquela menina que o tinha visitado num sonho tão extraordinário e as frases: “…uma boneca nunca é apenas uma boneca…” e “… também foram feitas pela mãe de alguém…”.
Olha em volta e sorri:
- Adormeci aqui. Está tudo bem. Agora está tudo bem.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Só mais um bocadinho...


"Meninas e Bonecas IV"

- Com um pouco de imaginação podem ser o que quisermos. – diz Sara como se fosse um segredo – Podem ter toda uma vida inventada por nós e aceitam a nossa tal e qual ela é. A nossa vida pode ser rica, pobre, interessante ou não, mais alegre ou mais triste, não importa. Acompanham-nos sempre com aquele sorriso e olhar que têm sempre uma expressão meiga. Aceitam sempre as nossas conversas e brincadeiras, estão sempre prontas a ouvir-nos e a acompanhar-nos. E se nos concentrarmos um pouco mais, respondem-nos e dão-nos conselhos e consolo.
“Aurora pode não ser muito bonita mas existe nela uma grande dose de carinho. Foi feita pela minha mãe que coseu cada pedacinho de tecido com muito esmero, colocou cada fio de cabelo com todo o cuidado, desenhou e bordou o sorriso mais doce e, por fim, deu-lhe dois grandes olhos azuis, como os meus, mas os dela nunca fecham. Disse-me que assim é como se Aurora estivesse sempre a olhar por mim. É como se me tivesse dado uma irmã. E, se a tratar bem, ficará comigo para sempre.”
“Aurora brinca sempre comigo quando estou alegre, ouve-me sempre quando estou triste e faz-me companhia quando estou doente ou sozinha. É muito meiguinha, fofinha e macia. Quando precisamos, uma boneca nunca é apenas uma boneca.”
- Está bem. Já percebi porque gostas tanto da tua boneca, mas as meninas que aqui vêm levam uma boneca que não foi feita pelas suas mães. Não me parece que se possa esperar o mesmo destas bonecas, pois não? – Edgar recusa-se a dar tanta importância ao que lhe parece ser apenas pedaços de porcelana, borracha, plástico ou pano que se encontram cuidadosamente arrumados naquelas prateleiras. ( continua )

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

... continuo a partilhar.

"Meninas e Bonecas III"

Sara continua:
- Eu sempre aqui vivi. Esta casa é que já não parece a mesma. No início, quando vivia aqui com a minha mãe, era tudo muito mais simples. Tínhamos uma mesinha, três banquinhos, além onde está o balcão, ficava a cozinha com um pequeno fogãozinho. Ali ao fundo – apontou para a zona mais afastada da porta – ficavam duas camas, muito simples, separadas por uma cortina. A minha mãe dizia que assim não havia sequer uma parede que nos afastasse uma da outra. A bem da verdade, quando fazia muito frio ou estávamos mais tristes, aqueles dias que não correm muito bem, sabes, nem a cortina nos separava.
“ Todos os dias ia para a escola. A minha mãe queria que eu aprendesse a ler. Assim, um dia, poderia ler-lhe as histórias bonitas que os livros contam e poderíamos sonhar juntas. Quando chegava a casa já uma refeição deliciosa estava na mesa. Nunca era muito, mas era delicioso. Depois de lhe contar tudo o que tinha aprendido ia brincar com a minha melhor amiga, a Aurora.” – e mostrou-lhe uma boneca de trapo muito velhinha e gasta. Os cabelos eram feitos de pedaços de lã e a cara era bordada, à excepção dos olhos que eram dois botões, num tecido já encardido com o tempo e o uso.
- Essa é a tua melhor amiga? Uma boneca? E até tem nome! – diz Edgar, incrédulo.
- Qual é o problema? É feia? Não gostas do nome? - É uma boneca. Um objecto. Um ser inanimado. Todos os dias entram aqui dezenas de meninas que olham fascinadas para estas bonecas como se tivessem poderes mágicos. Mas são apenas bonecas. ( continua )

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

... e já que comecei a partilhar...


"Meninas e Bonecas II"

Edgar sabia que o pai andava preocupado. O seu desconforto com a situação piorava ao ver aquele homem que admirava tanto, e que o tratava com tanto carinho e desvelo, preocupado e triste. O pai tentava esconder os seus sentimentos esperando pacientemente que tudo se resolva sem pressões, mas Edgar conhecia-o demasiado bem para se deixar enganar.
Num dia em nada diferente de todos os outros, Edgar ficou encarregue de fechar a loja. Sozinho naquele espaço de sonho, tratou de se certificar que todas as bonecas estavam nos seus lugares, que repunha outras nos espaços que tinham ficado vazios, que tudo estava limpo, arrumado e pronto a receber as novas pequenas clientes no dia seguinte. Sentiu-se cansado e decidiu sentar-se por uns momentos numa das confortáveis cadeiras destinadas aos adultos que acompanham as meninas que os visitam diariamente.
Estava quase a adormecer quando ouve um “pssst, pssst” muito baixinho. Sobressaltado vira-se e vê a seu lado uma menina pequenina de grandes olhos azuis e um cabelo cor de fogo avivado por uns lindos caracóis que lhe caíam sobre os ombros.
- Olá! – diz aquela vozinha doce que o acordara.
- Olá?! – responde Edgar, ainda perplexo, sem saber que mais dizer, e a olhar em todas as direcções a tentar perceber de onde teria aparecido aquela menina.
- Sentes-te bem? – pergunta-lhe ela.
- Sinto, mas… quem és tu? Porque estás aqui? – a confusão na cabeça de Edgar é imensa mas há-de haver uma explicação.
A menina senta-se numa cadeirinha que se encontra ali perto e diz:
- Chamo-me Sara e gosto de estar aqui. É muito bonito e simpático. E tu deves ser o Edgar.
- Como sabes quem sou?
- Vejo-te todos os dias. E andas triste. Porquê?
- Porque… espera! Como assim? Vês-me todos os dias? Não me lembro de te ver por aqui.
- É… as pessoas nem sempre reparam em mim. Outras sim e essas são muito simpáticas. Gosto muito de viver aqui.
- Cada vez entendo menos. Nunca viveu aqui ninguém! Não é possível. – Edgar nem sabe o que dizer, o que pensar. Pensa em todas as possibilidades de explicar o facto de aquela menina ali viver mas nenhuma lhe parece sequer plausível.

Como são patetas as pessoas...


... quando decidem que o melhor remédio para a desilusão é a solidão.

Parece-me natural que a primeira reacção ao sermos magoados e desiludidos por alguém em quem confiámos, a quem demos tanto de nós seja agarrarmo-nos ao velho e, até, sábio ditado popular: mais vale só que mal acompanhado. E por isso dizemos, com muita ligeireza: Não! Nunca Mais!!! Impregnamos esse sentimento dentro de nós, não queremos mais confiar ( é mais seguro e confortável?!) e depois tudo o que fica é... solidão.

Permitam-me então dizer o que penso: a solidão não tem piada nenhuma. Distancia-nos dos outros. Isola-nos. Aprendemos a sentir-nos bem em não partilharmos o que somos, em não confiar nuns e noutros até que não sobra mais ninguém na nossa intimidade a não sermos nós próprios.

Se nos isolamos há momentos que nos escapam. Os maus, o que parece óptimo, e os bons, os fantásticos. Será que vale a pena perder uns para não passar pelos outros???

Digam então que sou louca quando digo que confiar é bom. É bom não sentirmos medo de dizer o que pensamos, de demonstrar quem somos. E melhor ainda é voltarmos a sentir que podemos confiar de novo e aproveitar corajosamente esse resuscitar de algo dentro de nós que parecia moribundo.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Gostaria de partilhar convosco...

"Meninas e Bonecas I"
“Fada Minha” é o local onde qualquer menina sente vontade de passar todos os seus dias. É uma loja de paredes altas cheias de prateleiras onde estão expostas bonecas de todos os tipos: grandes, pequenas, assim-assim, de porcelana, plástico, borracha, pano, vestidas com toda a espécie de tecidos mais elaborados ou mais simples. É uma explosão de cores que dão alegria às suas faces que olham terna e inocentemente para todas as suas futuras companheiras de brincadeira. O espaço em si também dá vontade de levar para casa ou então ficar ali para sempre. Toda a loja é revestida a madeira, por todo o lado encontram-se confortáveis cadeiras, grandes e pequenas, onde se sentam ansiosamente as meninas, que esperam a sua vez para fazer a difícil escolha da sua boneca, e as suas mães. Como por magia, ouve-se uma música de fundo que provoca, de forma inconsciente, sentimentos de uma infância feliz a todos os que aí se encontram. Para completar este ambiente acolhedor e familiar encontra-se o dono desta loja, a sua companheira de uma vida e os seus filhos.
O Sr. Artur é um homem prestes a atingir a terceira idade, de estatura mediana mas imponente, de farta cabeleira branca e uma expressão terna e afável no rosto. Considera-se um homem feliz. A D. Bia, como é carinhosamente conhecida, uma mulher baixinha, roliça e maternal, é a sua companheira de trinta e tantos anos e a primeira responsável pela sua felicidade. É-lhe grato pelo amor, companheirismo e pelos seus preciosos quatro filhos. De facto, o Sr. Artur considerava Bárbara, Mafalda, Edgar e Gabriel as suas obras-primas, em co-autoria, claro.
Tinha grande orgulho em todos os seus filhos mas Edgar dava-lhe especial preocupação. Notava que o seu filho se sentia triste e deslocado. Todos os outros tinham-se integrado bem e de vontade própria neste ofício de vender sonhos e felicidade a crianças. Mas com Edgar não era assim. O Sr. Artur não se importaria que o seu filho não seguisse o negócio de família, desde que estivesse feliz. Mas o rapaz ainda não encontrara o seu rumo. Encontrava-se ali apenas porque não tinha outro sítio onde estar. (continua...)

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Pois é... converti-me!


Pois é, meus amigos, decidi entrar na onda e criar o meu próprio blog.

Será, com certeza, interessante estimular, ou maçar, os eventuais leitores com as minhas reflexões, opiniões, experiências e tanto quanto me dê na real gana neste meu cantinho desta vasta rede de comunicação.

Por isso, penso, sinto, vivo e... escrevo.

Leiam, comentem, ou não, ou passem ao blog seguinte se os meus devaneios vos aborrecerem.

Aos meus amigos, conhecidos ou desconhecidos:

AQUI ESTOU!!!!