Só mais um bocadinho...
"Meninas e Bonecas IV"
- Com um pouco de imaginação podem ser o que quisermos. – diz Sara como se fosse um segredo – Podem ter toda uma vida inventada por nós e aceitam a nossa tal e qual ela é. A nossa vida pode ser rica, pobre, interessante ou não, mais alegre ou mais triste, não importa. Acompanham-nos sempre com aquele sorriso e olhar que têm sempre uma expressão meiga. Aceitam sempre as nossas conversas e brincadeiras, estão sempre prontas a ouvir-nos e a acompanhar-nos. E se nos concentrarmos um pouco mais, respondem-nos e dão-nos conselhos e consolo.
“Aurora pode não ser muito bonita mas existe nela uma grande dose de carinho. Foi feita pela minha mãe que coseu cada pedacinho de tecido com muito esmero, colocou cada fio de cabelo com todo o cuidado, desenhou e bordou o sorriso mais doce e, por fim, deu-lhe dois grandes olhos azuis, como os meus, mas os dela nunca fecham. Disse-me que assim é como se Aurora estivesse sempre a olhar por mim. É como se me tivesse dado uma irmã. E, se a tratar bem, ficará comigo para sempre.”
“Aurora brinca sempre comigo quando estou alegre, ouve-me sempre quando estou triste e faz-me companhia quando estou doente ou sozinha. É muito meiguinha, fofinha e macia. Quando precisamos, uma boneca nunca é apenas uma boneca.”
- Está bem. Já percebi porque gostas tanto da tua boneca, mas as meninas que aqui vêm levam uma boneca que não foi feita pelas suas mães. Não me parece que se possa esperar o mesmo destas bonecas, pois não? – Edgar recusa-se a dar tanta importância ao que lhe parece ser apenas pedaços de porcelana, borracha, plástico ou pano que se encontram cuidadosamente arrumados naquelas prateleiras. ( continua )
“Aurora pode não ser muito bonita mas existe nela uma grande dose de carinho. Foi feita pela minha mãe que coseu cada pedacinho de tecido com muito esmero, colocou cada fio de cabelo com todo o cuidado, desenhou e bordou o sorriso mais doce e, por fim, deu-lhe dois grandes olhos azuis, como os meus, mas os dela nunca fecham. Disse-me que assim é como se Aurora estivesse sempre a olhar por mim. É como se me tivesse dado uma irmã. E, se a tratar bem, ficará comigo para sempre.”
“Aurora brinca sempre comigo quando estou alegre, ouve-me sempre quando estou triste e faz-me companhia quando estou doente ou sozinha. É muito meiguinha, fofinha e macia. Quando precisamos, uma boneca nunca é apenas uma boneca.”
- Está bem. Já percebi porque gostas tanto da tua boneca, mas as meninas que aqui vêm levam uma boneca que não foi feita pelas suas mães. Não me parece que se possa esperar o mesmo destas bonecas, pois não? – Edgar recusa-se a dar tanta importância ao que lhe parece ser apenas pedaços de porcelana, borracha, plástico ou pano que se encontram cuidadosamente arrumados naquelas prateleiras. ( continua )

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